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Sujeitos do Novo

Carlos Signorelli - Presidente do CNLB

Em 17/06/2009 às 14h23 - Atualizado em 17/06/2009 às 14h27

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Imaginemo-nos numa ponte pênsil, aquela feita de cordas e madeiras,
e que une dois pontos separados por um despenhadeiro profundo.
Estamos em conjunto, uma multidão, caminhando de um lugar que conhecíamos
e que estamos deixando para trás e rumando para um lugar,
do outro lado do precipício, desconhecido para nós.

A ponte balança, as pessoas sentem-se mal, algumas temem por não saber onde vão chegar, como é o lugar, outras choram por se perceberem deslocadas do lugar que conheciam tanto. Por isso algumas param, sentam-se e negam-se a continuar.
Outras decidem voltar, mas percebem que quanto mais caminham para o lugar de saída mais este vai se distanciando. Outros ainda, caminham como se nada estivesse acontecendo. Por fim, alguns decidem caminhar firmemente, acreditando que,
onde quer que cheguem, ali vão construir a sua vida, a partir de sua utopia de vida.

Esta metáfora da ponte pênsil nos representa, ou seja, representa a todos os homens e mulheres que vivem agora neste Planeta. Estamos no processo de transição de um modelo civilizatório pra outro, ou seja,
estamos em processo de mudança de paradigma de civilização.

O Documento de Aparecida chama isso de Mudança de Época,
e para afirmar o seu sentido diz que não é apenas uma época de mudanças.
Isto significa dizer é que este momento é o momento de transição
de um conjunto de regras, costumes, valores, signos, estruturas e instituições
sob as quais nascemos e às quais nos acostumamos, para outro,
do qual nada sabemos, pois tudo está em processo de construção.

Tudo está em crise:
o Estado, a forma de democracia que temos, a sustentabilidade do Planeta Terra,
os símbolos todos, também os religiosos e, portanto, todas as religiões
e suas instituições, inclusive a nossa Igreja. A educação está em crise, e a família,
tão cara a muitos de nós, está em fase rápida de mudanças radicais.

Está se forjando um novo paradigma civilizacional, com um novo conjunto de valores e instituições. Nada está ainda dado de concreto desse novo.
Mas sabemos que os valores da prática de Jesus devem estar presentes neste Novo.
E estes valores só farão parte do novo se nós os plantarmos lá.

Eis a nossa responsabilidade como cristãos e cristãs:
construirmos o Novo, nele plantando os valores que se originam
da prática e da palavra de Jesus, e que queremos chamar de Cristianismo.



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