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Campanha da Fraternidade 2012

Em 03/02/2012 às 09h26

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TEMA: FRATERNIDADE E SAÚDE PÚBLICA
LEMA: "QUE A SAÚDE SE DIFUNDA SOBRE A TERRA" (Eclo 38,8)

Introdução:

A Campanha da Fraternidade quer enfrentar os desafios da ação evangelizadora no Brasil, partindo de Jesus Cristo tendo como centro o Reino do Pai. Este trabalho deve acontecer na Igreja, através de seus discípulos missionários (DA), refletindo e agindo a partir dos critérios do Evangelho.

Tratamos da saúde no seu sentido integral, ou seja, como processo harmonioso de bem-estar físico, psíquico, social e espiritual. 

1. Primeira Parte: VER

A vida, a saúde e a doença são realidades duras de serem enfrentadas e contrariam nosso desejo de vida e bem-estar. Nas línguas antigas é comum a palavra saúde ser sinônimo de salvação, pois os antigos entendem o ser humano dentro de uma visão unitária. Não separam o corpo da alma – o que anima – e o psíquico. 

No entanto, a experiência da doença nos faz perceber uma ruptura. O corpo parece rebelde, opressor, independente. A doença apela para a fraternidade e a igualdade. Atinge a todos: ricos, pobres, crianças, jovens, idosos.
 
Zelar pela saúde é dever do Estado de forma preventiva e curativa, mas é responsabilidade também de cada família e cada pessoa.

No Brasil, os óbitos de crianças (1980 – 69 por mil nascidos vivos) foram reduzidos (2010 -19 por mil nascidos vivos). Isto aconteceu graças ao trabalho do SUS e da Pastoral da Criança. A população melhorou suas condições de vida e o brasileiro tem uma existência mais longa. Porém, há muitas doenças que afetam nosso povo. O cigarro é a principal causa de morte provocando câncer de pulmão, língua, boca, garganta, laringe, estômago, intestino, bexiga, rins, colo do útero, derrame cerebral, infarto, doenças pulmonares crônicas, diabetes etc. A obesidade e a falta de exercícios físicos podem acarretar, ao longo do tempo, pressão alta e diabetes. Não podemos esquecer que o alcoolismo e uso de drogas também são doenças. O crack pode tirar a vida de 25 mil jovens por ano no Brasil.

As estatísticas revelam que 60% dos acidentes de trânsito e 70% de mortes por violência são causadas pelo alcoolismo. No Brasil, a causa de morte que ocupa o primeiro lugar é provocada por doenças do coração, segunda por cânceres e a terceira pela violência. No caso da morte por violência ou no trânsito, a faixa atingida encontra-se entre 19 a 39 anos. 
Não podemos esquecer que há uma série de fatores políticos, econômicos, sociais e ambientais que contribuem para a saúde. Exemplo: esgoto, água potável, moradia, boa alimentação, emprego, salário, acesso à educação, hospitais, postos de saúde, lazer etc. 

O Brasil tem uma população de 192 milhões com 5.565 municípios dentre os quais muitos não possuem profissionais da saúde. No Brasil ainda se gasta pouco com a saúde. Ainda assim, o programa Saúde da Família atinge 100 milhões de brasileiros; o sarampo, a paralisia infantil, a cólera e a rubéola foram eliminadas e a tuberculose, hanseníase, AIDS e malária foram reduzidas. Surgiu o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e as farmácias populares que disponibilizam medicamentos com até 90% de desconto ou gratuitamente como no caso do tratamento de diabetes e hipertensão.

2. Segunda Parte: JULGAR

Os termos saúde e salvação surgiram em diversas línguas de uma raiz única significando plenitude, integridade física e espiritual, paz e prosperidade. Sinal de que saúde tem muito a ver com a salvação são as “salas de milagres” dos santuários onde o povo vai agradecer bênçãos e graças obtidas. 

O Antigo Testamento descarta a doença e o sofrimento como vontade divina e apresenta a observância da Lei de Deus como situação de bem-estar e prosperidade (Cf. Dt 28,1-14). A doença é vista como conseqüência do pecado. O livro do Eclesiástico considera a enfermidade como o pior dos males (Eclo 30,17).  A cura deveria ser buscada em primeiro lugar através da oração (2Sm 12,15-23), mas também recorrendo ao médico, aos remédios e a ciência como possibilidades de cura vindas de Deus (Eclo 38,1-15), sem esquecer que a morte faz parte da vida (Eclo 38,16-23) e cremos que a vida continua. 
O livro de Jó muda a mentalidade da época que atribuía a enfermidade como castigo de Deus por algum pecado cometido. Jó é rico, feliz, pai de muitos filhos e filhas. Torna-se um homem miserável cheio de feridas. Seus três amigos nutrem uma profunda sensibilidade pela sua situação. Vão à sua casa e permanecem silenciosos durante “uma semana”. Depois, procuram convencer Jó a reconhecer-se pecador. No entanto, ele se reconhece inocente e sabe que Deus não é responsável pela dor no mundo, por isso procura uma explicação. Acaba descobrindo que o sofrimento faz parte da misteriosa presença do mal no mundo, nem sempre explicável ou de responsabilidade pessoal.

No Novo Testamento, entre tantos textos, a narração do cego de nascença (Jo 9,1-41) e do Bom Samaritano (Lc 10,25-37) ajuda-nos a entender nossa postura diante do sofrimento e do mal. Os discípulos querem saber se a cegueira é conseqüência do pecado (Jo 9,2). Jesus supera o entendimento de doença como pecado ou castigo de Deus e se revela como a verdadeira luz.  Os verbos Ver e Crer estão relacionados no Evangelho de João (Jo 9,35-38). Como a doença significa exclusão social ao curar, Jesus resgata o ser humano para o meio da sociedade.

A parábola do Bom Samaritano nos lembra a condição de fragilidade do ser humano. Os sete verbos: ver, compadecer-se, aproximar-se, curar, colocar no próprio animal, levar à hospedaria e cuidar mostram que ser missionário é cuidar dos caídos pelo caminho. 

O sofrimento é de difícil aceitação, ainda mais hoje que a cultura fala de felicidade ligada à noção de prazer e à rejeição de esforços. Diante do sofrimento, o ser humano religioso questiona Deus. Muitos como não conseguem entender a existência de um Deus de Amor e o sofrimento no mundo, principalmente de inocentes, preferem rejeitar Deus.

A Teologia Cristã não se cansa de proclamar que Deus, o Criador, é bom e tudo o que criou está revestido de sua bondade. Muito sofrimento e mal são provocados pelas relações injustas estabelecidas pelo próprio ser humano. O Cristo inocente se faz solidário com o nosso sofrimento e, como Deus feito homem, assume a extensão do mal contido no pecado da humanidade dando-lhe profundidade e intensidade incomparável em vista da redenção. O sofrimento, o mal e a dor são vencidos pelo amor e pela ressurreição, apesar da morte. Com a ação de Cristo, o conceito de doença deve ser alargado no sentido de entendê-lo como libertação de todo pecado, injustiça e opressão e não só dos males físicos ou psíquicos.

O mandamento do amor dado por Jesus (Jo 13,34) levou a comunidade antiga à partilha de bens (At 2,44-45), à preocupação com as viúvas desamparadas (At 6,1-6), com o cuidado dos doentes, inclusive ministrando o sacramento da unção dos enfermos (Tg 5, 13-15). Maria, a discípula “cheia de Graça” (Lc 1,28) é exemplo de cuidado ao visitar sua parenta Isabel, por isso aparece muito ligada aos enfermos nos Santuários Marianos.

3. Terceira Parte: AGIR

Uma das formas de agir em nossas comunidades é criando ou fortalecendo a Pastoral da Saúde, cujos objetivos são: promover, educar, prevenir, cuidar, recuperar defender e celebrar a vida tornando presente a ação libertadora de Cristo. A Pastoral da Saúde trabalha em vista da construção de uma sociedade solidária, dentro das comunidades, conscientizando todos de seus deveres e direitos. Os agentes da Pastoral da Saúde são os discípulos missionários de Jesus Cristo e de sua Igreja, envolvidos em sua missão de cura e de salvação. 

Outra forma de agir é cuidar das pessoas que estão se aproximando do final de suas vidas, ajudando a sociedade a compreender que o morrer com dignidade é uma decorrência da vivência com dignidade. Não podemos aceitar a morte como conseqüência do descaso pela vida, provocada pela pobreza, violência ou acidentes. Ao mesmo tempo lutamos contra a eutanásia (abreviação intencional da vida) e a distanásia (prolongamento do sofrimento para adiar a morte), mas aceitamos a ortotanásia, ou seja, a despedida da vida no tempo certo sem abreviações ou prolongamentos inúteis, deixando a natureza seguir seu curso natural.

Trabalhar para conscientizar as pessoas, famílias e comunidades da forma como podem desenvolver um estilo de vida saudável e como evitar doenças como: hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, pulmonares, cânceres, diabetes etc.

Incentivar a prática regular de exercícios físicos, a reeducação alimentar, a coleta seletiva de lixo, o trabalho da Pastoral da Criança, Farmacinhas Paroquiais e grupos de saúde alternativa (uso de plantas), fazer uma campanha preventiva ao uso de drogas etc.

PARA CONVERSAR EM GRUPO:

1. Depois de refletir com o texto base (Ver e Julgar) e ter algumas pistas (Agir), quais as ações concretas escolhemos para serem realizadas neste ano por nossa comunidade?



 


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Código de confirmação
  • A ação concreta para a campanha da fraternidade deste ano está próxima dos nossos olhos.Como na parábola do bom samaritano vejo inúmeros irmãos dormindo em condições desumanas nas calçadas de nossa querida Muriaé. Inúmeros irmãos nossos nas calçadas da rodoviária. Que tal fazer alguma coisa?

  • No Ver,Julgar, Agir, a ação concreta é de resolver procurar meios de levar pessoas carentes que habitam em meu bairro a um tratamento digno,dentro dos postos de saúde, com médicos,psicológos,assistente sociaise calar somente no silêncio de Jesus.Silêncio este aprendido com o Padre PAULO rOBERTO .

  • Depois de refletir sobre o que o P adre Paulo Roberto , escreveu sobre a necessidade de silenciarmos para ouvir Deus ,experienciei que posso ajudar muito com a campanha da fraternidade,divulgando-a, e repassando para as pessoas que tem acesso a esta saúde pública.Deus o abençõe!


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