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O Sentido Espiritual da Quaresma.

Em 06/03/2011 às 21h55

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Formação para a Liturgia

O Sentido Espiritual da Quaresma

 

         Toda celebração cristã é memorial – atualização – da Páscoa de Jesus Cristo. Entretanto, para que as comunidades cristãs e cada pessoa possam fazer de sua vida uma páscoa contínua, retomamos o costume das Igrejas de consagrar com mais intensidade um tempo especial para preparar e celebrar a memória da vida, morte e ressurreição de Jesus.

         No tempo dos apóstolos, as comunidades celebravam a páscoa todos os domingos, com uma vigília que começava com salmos e orações, e culminava, ao amanhecer com a Eucaristia. No segundo século já se tem notícia de uma celebração anual da páscoa, uma vigília maior que constituía o único momento no qual se celebrava o batismo. A grande vigília anual era precedida por um tempo de jejum, inspirado na palavra de Jesus: “Chegará o dia em que o noivo será tirado e, então, jejuarão” (Lc 5,35). Primeiramente, esse tempo durava um ou dois dias, estendido depois, por uma semana e, finalmente, por cinco semanas (quarenta dias). Ao mesmo tempo, a Páscoa era prolongada por cinqüenta dias de festa, celebrados como um só dia, chamado Pentecostes. Durante esse tempo, não se faziam jejum, cantavam o jubiloso aleluia da alegria pascal e oravam sempre de pé, recordando que o Cristo ressuscitado os levantara de toda opressão e os libertara.

         Infelizmente, com o passar do tempo se perdeu a riqueza do Tríduo Pascal e passou-se a celebrar o domingo depois da vigília como Páscoa e Pentecostes, como festa do Espírito Santo. Esqueceu-se que a grande festa pascal é a vigília celebrada no sábado santo e pentecostes é o ponto alto da Páscoa. Pio XII, em 1955, recupera o sentido litúrgico da Páscoa, servindo de preparação para o Concílio Vaticano II. Por isso, o ciclo da Páscoa assume uma grande importância nos levando a ficar atentos:

1.                          Assumimos a Vigília Pascal do sábado santo como centro de todo o ano litúrgico tendo a quarta-feira de cinzas como entrada na Páscoa e os cinqüenta dias (Pentecostes) como prolongamento da alegria pascal.

2.                          A chegada na Igreja é um tempo necessário, antes de iniciar a celebração, para cada pessoa “unificar o coração” (Sl 86,11) e se preparar para a oração comum. O silêncio e a música de fundo, a imagem projetada ajudam a entrar no clima da celebração.

3.                          A Quaresma é tempo de renovação espiritual, uma espécie de retiro pascal estruturado nas três práticas: jejum, oração e esmola (partilha e solidariedade). São Pedro Crisólogo dizia: “Três são, irmãos, as colunas que fazem com que a fé se mantenha firme, a devoção constante e a virtude permanente. Estas três colunas são: a oração, o jejum e a misericórdia. Porque a oração chama, o jejum intercede e a misericórdia recebe”. O Cristo orante no deserto, na cena da Transfiguração, nas noites depois de despedir a multidão, chama toda a comunidade de seus seguidores (as) a assumir a mesma atitude, não como esforço e devoção nossa, mas como abertura ao Espírito que reza em nós e que nos faz continuadores da missão do Senhor. A oração, sinal do nosso desejo de Deus e da unificação do coração, torna-se espaço de gratuidade e de perdão para acolher a ternura de Deus em nossa vida e em tantas vidas ligadas a nós.

4.                          A Quaresma é tempo de catecumenato. Catecúmeno é o adulto que se prepara para receber os sacramentos de iniciação à vida cristã: batismo, crisma e eucaristia. Catecumenato é tempo de preparação. Preparando adultos ou não, a comunidade deve viver o tempo quaresmal como forma de reviver seu batismo, sua crisma e a eucaristia, isto é, deixar a Palavra do Senhor ressoar em nosso coração.

5.                          A Quaresma é tempo de penitência. No princípio do Cristianismo, no início da quaresma os pecadores públicos recebiam cinzas e a roupa dos penitentes, usando-as até a quinta-feira santa pela manhã, quando eram novamente integrados e readmitidos para a celebração pascal. Penitenciar-se significa “converter-se e crer na Alegre Notícia” – Evangelho – que é Jesus Cristo.

 

Lembretes: Tempo da Quaresma usa-se a cor roxa da penitência. Não se canta o aleluia, o glória, não se batem palmas e não se usa flores no altar. Na nossa paróquia, nossa Equipe de Liturgia decidiu não desejar paz de Cristo, usar as matracas no lugar dos sinos e cobrir as imagens destacando o Cristo Crucificado. Devemos valorizar mais o gesto de ajoelhar-se, manifestando o coração penitente e uso da água como sinal batismal durante o ato penitencial. No ano A, as leituras enfatizam a dimensão batismal da Igreja, o B a glorificação de Cristo pela cruz e o C, a conversão do coração e o perdão. Quaresma não é tempo de tristeza, mas de silêncio, reflexão e interiorização. No quarto domingo da quaresma – laetare – em latim significa alegria, somos convidados com a cor rosa a deixar de lado toda tristeza e alegrar-nos com o amor do Senhor revelado em Cristo. Nesse domingo pode-se enfeitar os altares com flores. As músicas utilizadas devem seguir a instrução do Hinário Litúrgico da CNBB.  

 

PARA REFLETIR:

 

1.                                               Em nossas comunidades, a quaresma tem o sentido da penitência, do convite à oração e a vivência da partilha e solidariedade? As pessoas entendem este apelo na liturgia?

2.                                               Como ajudar nosso povo a entrar no clima da celebração quando chega a Igreja?

3.                                               O que chama sua atenção neste texto?

4.                                               Como podemos viver melhor o sentido espiritual da quaresma acentuando nosso batismo, crisma e eucaristia?

 



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