Padre Cícero Machado

Em 12/05/2014 às 11:13h

Feliz Páscoa!

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Estamos no Tempo Pascal. Como dizem os discípulos de Emaús: muita coisa aconteceu nestes últimos tempos... Quem pôde celebrar a Semana Santa toda, pôde ver muita coisa bonita... Muita pregação gostosa de ser ouvida... Coisas alegres... Tristes também...

Na segunda-feira Santa tivemos a procissão de Nossa Senhora das Dores. Padre Silas nos falou em sua pregação sobre o silêncio de Maria que é uma profunda oração. Pois quando a gente tem dor e uma angústia no coração a gente quer ficar um pouco sozinho. Andar um pouco. Ouvir a voz do coração apertado. E quando se trata de um filho então... A dor é maior. A mãe sofre mais que o filho: parece que tem um punhal cravado no peito e uma espada traspassada na alma.

Na terça-feira santa tivemos a procissão do Senhor dos Passos. Poderíamos chamar de: "terça-feira da decepção de Jesus". Jesus vai cabisbaixo pelo caminho carregando a sua cruz. Pensando nos seus grandes amigos. Primeiro Pedro, chefe do grupo de sua pequenina Igreja e seu pequenino rebanho. Disse-lhe Pedro: Por que não posso seguir-te agora? Por ti darei a minha vida. Respondeu-lhe Jesus: Tu darás a tua vida por mim? "Na verdade, na verdade te digo que o galo não cantará enquanto não me tiveres negado três vezes" (João 13, 37-38). Nem uma, nem duas, mas três vezes. É insistir no erro, é errar de novo, de novo e de novo...

Mais uma decepção. Depois diz para Judas Iscariotes que também era um amigo de confiança do grupo: "vai logo fazer o que tens de fazer..." E o que ele tinha de fazer era nada mais, nada menos, que apunhala-lo pelas costas. O tesoureiro do Grupo: "E, tendo Judas tomado o bocado, saiu logo. E era já noite" (João 13,30). E vendeu Jesus em troca de algumas pratinhas. Piora ainda as coisas, faz outra besteira se enforcando. Jesus agora sofria pela traição e pela morte do amigo. Dor e saudade.

Vai Ele riscando o chão com a madeira da cruz. Passos no silêncio. Pensando que as pessoas que a gente mais ama, confia, e acredita. As pessoas mais próximas da gente são as que mais nos ferem e maltratam.

Na quinta feira ouvimos Jesus falar do amor que vai até o fim. Não é amor que pôde acabar. É amor que vai até o fim. Quem diz assim: Meu amor acabou me esquece... Nunca amou. Porque quem ama diz assim: eu te amo até o fim... estou indo embora lembre-se de mim... Meu perfume... Meu cheiro... Minha roupa... Meu gosto...  E quem ama até o fim dá tudo: a vida, o sangue, o corpo...

Quinta feira santa a gente celebra uma missa que tem um tom de festa, mas é uma liturgia triste... Flores, vinho, pão, cordeiro... Tudo muito bonito. Mesa pronta, toalhas limpas, luzes e canções... Mas tem um tom de tristeza. Ele sabe que é uma despedida. A gente não gosta de despedidas. Ele saiu dali para chorar, no monte. Conta-se que ele chorou sangue. Machucado, magoado, triste... Gente traindo... Gente mentindo... Gente fugindo, se escondendo. Cheiro de morte no ar. Saiu da ceia com um jeito de quem não vai voltar mais. Última ceia... Final de uma história de amor... Sexta feira...

Sábado santo. Começa com um tom de tristeza. Tudo escuro. Luz de fogo. Velas. Mesa sem toalha... Sem comida. E termina com um tom de infinita alegria. Glória. O amigo Voltou. Ele vive. Está entre nós. Tem outro corpo. Não mais sente dor. É pura alegria. Tudo passou.

Pascoa é isso: Feliz tudo que passa... A dor que acaba... Fica uma coluna de cera... Musica, dança em torno da Fogueira. É preciso viver a vida como uma fogueira que arde e uma vela que se consome iluminando. Passam os ventos, passam os amores, passa a vida. Feliz ressurreição. Feliz vida. Feliz passagem. Feliz Pascoa!

Autor: Padre Cícero Machado


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