Padre Cícero Machado

Em 23/09/2013 às 20:57h

A difícil arte de cuidar de gente (HOMILIA DIA DOS PAIS)

"O ADMINISTRADOR FIEL" (Lc 12,32-48)

Versão para impressão
Enviar por e-mail
Conheça o autor
"Pai". Essa palavra traz no seu bojo uma grande responsabilidade. O relacionamento que uma criança vai ter com Deus vai depender do relacionamento que ela tem com o pai aqui na terra. Uma criança quando nasce não sabe muita coisa. Depende de muitos ensinamentos e precisa aprender muitas coisas que serão ensinados especificamente pelos pais.

A criança é uma grande repetidora de sentimentos e atitudes. Na Igreja é comum quando o pai ou a mãe ajoelha para rezar. Aquela criancinha de poucos anos ajoelha também e fecha os olhinhos dizendo que está rezando também sabe-se lá o que... É muito bonitinho de se ver. E vez por outra o Pai aponta para a Imagem de Jesus e ensina dizendo que aquele lá é o Papai do céu. Eu particularmente tenho medo desta expressão. O seu significado pode determinar toda a relação que a criança vai ter com a fé e, por conseguinte com Deus. Acho mesmo perigoso o pai dizer esta expressão. Ele vai precisar tratar esta criança com muito amor, com carinho, com afeto, com escuta, com bondade, com ternura... De um lado, para que a criança relacione que Deus é Pai então Deus é bom. Por outro lado, se o tratamento é contrário, poderá para sempre prejudicar os seus sentimentos para com Deus. Se seu pai aqui na terra é relapso, nervoso, grosseiro, distante, ausente, corre o risco de identificar o Deus do céu com algo que não pertence a Ele, a maldade, neste caso, terá a fé comprometida para toda a vida.

Um pai amoroso sabe que ao receber um filho recebeu de Deus um grande tesouro, um presente inestimável de Deus. Encontra ali o amor e pode até tocá-lo. Deus apenas espera que este tesouro seja bem cuidado e, como um tesouro, seja bem administrado. É verdade que para se administrar uma família será preciso de muitas coisas. Criar uma criança com conforto é preciso também ter um pouco de tesouro na terra. Mas para o administrador que só pensa neste tesouro na terra e ali coloca o seu coração acaba por ser um homem infiel. Muitos deles abandonam a família em nome do trabalho e conquistas, ali coloca todo o seu tempo e todos os seus esforços, fixando ali o seu coração e acaba por amar as coisas e abandonar as pessoas, ou seja, aquela gente que ele também ama. Jesus diz que este vai acabar pensando somente em comer e a beber e a se embriagar, espancando a todos. Podemos entender que este espancamento não seja factualmente físico, (embora também aconteça), mas também com palavras rudes e grosseiras com a mulher e as crianças, com a cabeça cheia de preocupações com as coisas terrenas. Porém para aquele que tem esperança que transmite a fé, que está sempre vigilante, dando bons exemplos, este ele diz que Deus mesmo cingirá a cintura e os servirá.

Um pai é convidado a cuidar de gente: "seu pequenino rebanho" (Lc 12,32). E Jesus diz que ao cuidar de gente não é preciso ter medo, pois foi do agrado do Pai te dar um reino: sua mulher, seu filhinho: aquela gente pequenininha que te emocionou e por vezes te tirou sorrisos e lágrimas de emoção quando da primeira vez pôs os olhos nela e pode afagar nos braços. Pois é bom saber que Deus tem um amor ciumento daquela criaturinha que é para ele um grande tesouro. Chega a dizer que tudo o que fizerdes a um destes pequeninos é a mim que o fazes (Mt 25,40). Dá para imaginar a quantidade de amor que Deus tem por este pequenino que você chama de filhinho. Isto cria uma responsabilidade imensa.

Diz a definição de alegria que: "alegria é tudo aquilo que acontece com o corpo quando se encontra com aquilo mesmo que desejava". E por causa disso que alguns médicos não permitem mais que o papai fique na sala de parto quando do nascimento da criança, porque a alegria é tanta que o corpo do pai acaba por desmoronar misturando emoção, alegria e medo, então causa uma confusão danada... Aquele brutamonte desmaiado na sala de parto.

Na parábola do administrador fiel (Lc 12, 32-48) que a liturgia nos propôs no dia dos pais, ele pede ao administrador que seja vigilante e fiel ao seu tesouro, ou seja, esteja preparado e tenha fé. Na família ele é o administrador de gente que vai ser o seu tesouro guardado no céu. São Paulo nos dá a experiência do pai Abraão (Hb 11, 1-12), pois pela fé Abraão, homem já marcado pela morte foi capaz até de oferecer em sacrifício o seu próprio filho colocando-o nas mãos de Deus e acreditando que Deus um dia lhe daria de volta. E Sara? Embora estéril e já de idade avançada se tornou capaz de ter filhos porque considerou digno de confiança o autor da promessa (Hb 11,11). Isso é fé: colocar o que amamos nas mãos de Deus. Então ali estará o nosso tesouro e nosso coração.

É a fé que dá força e a certeza de se querer e poder.

Na verdade, cuidar de gente pequena não é das tarefas a mais fácil. Uma criança quando nasce não vem com manual. Mas Deus nos deixou um grande e celebre manual para cuidar de gente e de coisas. Ela se chama Bíblia. O pai fiel tira deste manual a forma e o jeito de cuidar de seu tesouro. Coloca numa mochilinha e a entrega para a viagem de seu filho que na adolescência e na faze adulta levará para a  jornada da vida em todas as suas fazes. E pela vida a fora a criança vai tirando dali de dentro os ensinamentos que apreendeu do pai. O jovem vai longe. Vai buscar a vida e seus tesouros, levando aquela mochilinha que o papai colocou em suas costas. Volta de tempos em tempos porque, na verdade, ele nunca saiu de casa já que levou na mochila o coração do papai e o papai sempre esteve com ele em qualquer lugar que ele estivesse.

Pe. Cícero Machado, MSC

Autor: Padre Cícero Machado


Tags relacionadas: Pe. Cícero Machado Ribeiro, MSC

Fotos

Rua Dr Afonso Canedo, 47 Muriaé - MG, 36880-000 - 32 3722-2363 | Todos os direitos reservados a Paroquia São Paulo

Todos os direitos reservados a