Padre Cícero Machado

Em 07/07/2013 às 10:01h

TRINDADE: DOGMA DE AMOR

Não Pode Ser Que O Amor Seja De Outro Jeito

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O Dogma do reencontro por Amor (1Jo 4,8), com o Amor (Mc 10,21), e no Amor (Gl 5,22): a Santíssima Trindade. Contudo, aquilo mesmo que deveria unir os cristãos, é aquilo mesmo que os separa. Alguns chegam a dizer que este e outros dogmas da Igreja não encontram consistência e fundamento. Pensam assim algumas religiões e seitas cristãs. Se esquecem de que o que a Igreja proclamatem suas bases nas escrituras, no magistério e na tradição dos apóstolos.

É triste ver que quando uma pessoa sai da Igreja Católica e entra numa religião evangélica, protestante ou seita, a primeira coisa que tiram dela é a fé no sinal da cruz, em seguida o respeito à santidade de Maria, sua Imaculada Concepção e depois a total descrença na Virgindade Perpétua e sua assunção aos céus. Não sabem que ainda que de maneira implícita, a Igreja encontrou, na Bíblia, os fundamentos destas doutrinas. São Lucas 1,28 diz que Maria é "Cheia de Graça", significando que ela está plena do favor de Deus, da graça divina. Estando totalmente possuída por Deus, não há, em sua vida e coração lugar para o pecado. Na Sagrada Escritura nós temos o famoso trecho de Isaías 7, 14: "Eis que uma virgem conceberá e dará à luz a um filho e o chamará Deus Conosco". O texto é certamente messiânico e, portanto se trata da Virgem é Maria. No Evangelho cita-se esta profecia (Mt 1, 18-23) e se conta com exatas palavras o nascimento virginal de Jesus, por obra do Espírito Santo. Os Padres da Igreja, no trecho de Ez 44,2 atestam a profecia da virgindade de Maria depois do parto: "este pórtico ficará fechado. Não se abrirá e ninguém entrará por ele, porque por ele entrará Iahweh, o Deus de Israel, pelo que permanecerá fechado".O dogma da assunção de Maria é fundamentado na Bíblia quando registra Deus "tomando" Enoque e Elias ao Céu (Gênesis 5:24; II Reis 2:11). Por isto, não é impossível que Deus tenha feito o mesmo com Maria. Não é errado acreditar que Deus "tomou" Maria nos céus. Jesus não teria deixado sua mãe passar pela dor da morte. Se tivéssemos poder para tanto também não deixaríamos, com certeza, que nossa mãe passasse pelo crivo da morte, tanto mais Jesus o deixaria. Estes dogmas como verdades imutáveis, nós devemos crer, na fé da Igreja, e porque nos foram deixados por aqueles que foram os depositários primeiros da fé.

O dogma da Santíssima Trindade é o que mais tem embasamento teológico: "Quem me vê, vê o Pai" (Jo 14,7-14), se mostra o dogma mais difícil de explicar, porém o mais fácil de ser entendido. Exige de nós muito mais do que a fé. Exige termos experimentado um sentimento chamado AMOR. Infeliz daquele que não o tenha experimentado um dia. Não conseguiu conhecer nem a si mesmo quanto mais a seu criador. Somente quem o experimentou no fundo de sua carne e das suas mais profundas entranhas poderá entendê-lo. Para explicá-lo eu prefiro usar a imagem de uma mãe. Não se entende uma mãe sem o seu filho ou mesmo um pai também se esse for um pai amoroso sem seu filho. Mas vou preferir a imagem da mãe. Ela é o amor uno e trino. Um filho é um pedaço uma parte quase que vital. Não se pode tirar esta parte da mãe. Justificativa é aquela  que perdeu um filho. Se ela tiver onze filhos e um morto ela sempre vai dizer que tem onze filhos e não dez, ela nunca subtrai. Ela é mãe de onze. Depois de gerado o amor os uniu nas entranhas por todo o sempre. São uma só pessoa. Assim é com o Pai de Jesus. Deus amou tanto o seu filho que se tornaram uma só pessoa, ele não o perde, deixa-o livre. Somente um amor tão grande assim pode abrir mão e deixar livre, pois este é o amor verdadeiro. O livro de provérbios  8,22-31 proclama um monólogo de algo não criado mas gerado chamado sabedoria. Ela diz: "Fui gerada quando não existiam os abismos... Quando Deus preparava os céus, ali estava eu, quando traçava a abóbada sobre o abismo, quando firmava as nuvens lá no alto e reprimia as fontes do abismo, quando fixava ao mar os seus limites... eu estava ao seu lado como mestre-de-obras; eu era seu encanto, dia após dia, brincando, todo o tempo, em sua presença..." Deus enquanto criava, a sabedoria brincava em volta dele. E a sabedoria era o encanto do criador. O texto nos diz de algo brincando. Não nos lembra duma criança em torno da mãe quando ela está pondo em ordem a casa? Que quer também lavar, passar, limpar?Ou em torno do pai que tenta trabalhar e a criança a brincar comas suas ferramentas? O livro dos provérbios nos mostra este encanto de uma criança brincando enquanto o Pai criava. E ele não criava qualquer coisa, Ele criava um universo inteiro, um grande jardim, com nome e tudo: chamava-se Éden (Gn 2,15) com terra, água, peixes, pássaros, tudo era bom e bonito. Um dia ele vendo as angústias de seus filhos criados resolveu deixar o seu filho único, descer até o jardim para organizar tudo o que os homens tinham destruído com suas relações escravagistas, a humilhação dos pobres, as dominações... A criação que deveria cumprir a Hierarquia: Deus ? homem ? criação, havia sido invertido na forma: homem? criação? Deus. A desordem estava completa. Então o Pai amoroso deixou o seu filho vir ao grande jardim para ordenar a criação. E o menino falou de seu pai, como ele era bom, de como ele tinha criado todos os homes e para o que tinham sido criados, para serem irmãos e todos usufruírem da bondade dele que tudo sustenta com seu amor. Ele ensinou que o seu Pai fez tudo para todos. Que nada deve ser levado a ferro e fogo, mas deve ser acolhido em seus erros com um pouco de compreensão. Que é preciso brincar como crianças mesmo depois de crescidos, nunca deixar de serem crianças já que estamos num lindo jardim. Que mulheres e homens são iguais. Que não se deve querer tanta coisa a ponto de acumular para si aquilo que é do Criador  já que ele tem muito mais para dar até depois que voltarmos para casa, o céu que ele criou. E ensinou que devemos chamar seu Pai também de Pai, pois eles eram tão íntimos que o chamava de papaizinho (Abba).

"Deus enquanto criava, a sabedoria brincava em volta dele".

Mas os homens de nosso planeta o machucaram muito, não o entenderam, escarraram nele, falaram mal, chamaram-no de belzebu. A ponto de o levarem um dia a um precipício na intenção de empurrá-lo dali abaixo. O feriram até o mais profundo do seu ser com traições e infidelidades. Qual pai ou qual mãe quer ver o seu pedaço, a parte de sua carne sofrendo tanto assim? Então qualquer pai diz para o seu filho ao vê-lo apanhando na rua: "Vem prá casa meu filho, sai do meio dessa gente má, essa gente não te merece! Por isso a Igreja celebra hoje a chegada do filho chagado em casa e num abraço apertado novamente se unem numa só pessoa, podemos até imaginar o menino chegando em casa e o Pai carinhoso cuidando de suas feridas. Um amor tão grande assim salta aos olhos, transborda. Aí São Paulo nos diz: "Nos gloriamos também de nossas tribulações, sabendo que a tribulação gera a constância, a constância leva a uma virtude provada, a virtude provada desabrocha em esperança; e a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado". Este amor foi transbordado em nossos corações. Porém não para todos, mas para aqueles que nas tribulações são constantes na fé, Jesus foi assim, e a constância gera a esperança e a esperança não decepciona. Quantos que na tribulação abandonam a verdade de Cristo. Partem para seitas maliciosas, buscas de espíritos milagrosos, para um evangelismo fundamentalista até sem bases teológicas  que proclama curas e resoluções fáceis que no fundo não tem consistência nenhuma são soluções construídas na areia da mentira humana e não na rocha da verdade de Cristo.

Amor trinitário, duas, três, quatro, cinco ou quantas forem as pessoas, acabam sendo um só ser no amor. Seres juntos, unidos, misturados, que nada pode separar. Que irradiam uma alegria imensa mesmo na tribulação oferecendo um carinhoso apoio, que diz: "calma, vai passar, tenha esperança, guarde a fé, sê constante, a esperança não decepciona!" Tão Trinitário que no último dia de sua vida convida os amigos a comer juntos um pedaço de pão e beber uma taça de vinho para se despedir e deixar a cena como uma memória inefável a ser celebrada por toda a vida.

Isso é o mistério que celebramos. Amor que não se acaba. Amor que não separa. Amor que faz ser um em três.

Autor: Padre Cícero Machado


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