Padre Cícero Machado

Em 26/11/2013 às 15:08h

Os Sacramentos: Pérolas de Infinita Beleza

Guarde-as, um dia você terá de entrega-la nas mãos de Deus

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O prefácio que rezamos da missa do Sagrado Coração nos diz: "do peito aberto de Cristo jorraram sangue e água e com eles os Sacramentos da Igreja". Gosto de imaginar a cena de sete gotas de sangue e água saindo do Coração de Cristo que se misturam e se transformam em pérolas. É uma imagem bonita. Gosto ainda de dizer que Jesus foi para junto do Pai e nos deixou estas sete pérolas de infinita beleza que devemos recolher ao longo de nossa vida para que, no final do caminho, tenhamos todas as pérolas nas mãos e possamos entrega-las nas mãos d'Ele.

Sim. É ao longo da vida.

Geralmente, nos primeiros meses ou anos de nossa vida recebemos a primeira pérola: O BATISMO, para sermos membros do corpo de Cristo que é a Igreja. Durante os primeiros dez anos de nossa vida é somente do batismo que precisamos, aprendendo o amor de Deus unidos com nossa família que deverá nos encaminhar na Palavra de Deus e seus ensinamentos.

Depois precisamos reforçar o nosso batismo, e não deixar com que ele se perca em meio às vicissitudes da vida. É quando já temos a consciência de que fazemos coisas erradas e que comprometem o nosso amor com Deus e com os nossos irmãos. Então recebemos a segunda pérola que é a pérola da RECONCILIAÇÃO, no exercício da confissão de nossas falhas no relacionamento com as coisas, com os outros, e com Deus.

Um alimento dará forças para toda a vida. Para termos um espírito forte. Hora de enfrentar as mudanças em nossa vida. Ver o mundo que se apresenta a nós com várias faces entre elas o bem e o mal. Então precisamos da pérola da EUCARISTIA.

Mas a adolescência vai se aproximando. Precisamos tomar algumas decisões que vão definir toda a nossa vida. Decidir sobre nossa profissão, nossos amores, nossos relacionamentos, descobrir qual é a nossa missão e vocação nesta vida. Então é a hora de recebermos mais um reforço, ou a confirmação de que queremos caminhar nesta vida com Cristo e d'Ele receber as orientações para a nossa felicidade, lembrando que para Cristo a nossa felicidade apenas tem sentido se nos dedicamos ao serviço aos nossos irmãos, seja na  profissão que escolhemos, seja na família que constituímos, seja em meio as nossos amigos: a pérola da CRISMA.

O tempo vai passando. Já não queremos ficar sozinhos. Sentimos a necessidade de uma companheira ou de um companheiro. Alguém que nos ajude a gerar a vida que pulsa dentro de nós. Viver uma grande paixão, mas não parar na paixão, a partir dela, encontrar a pérola do amor. Esta pérola se divide em duas: O MATRIMÔNIO, para quem quer gerar a vida nos braços de outro alguém. Ou a pérola do sacramento da ORDEM que é gerar a vida somente nos braços de Deus entregando-se inteiramente a sua vontade.

Neste momento já devemos ter passado quase trinta anos de nossa vida. Já recebemos pelo menos cinco pérolas. Devemos guarda-las conosco. Não devemos deixa-las se perder, ou lança-las aos porcos.

Um dia Jesus vai nos pedir estas pérolas de volta. Para conservá-las é primordial que usemos estas pérolas, pertencendo a Igreja pelo Batismo. Lavando e purificando pela Confissão. Alimentando nosso espírito com a Eucaristia. Assumindo o nosso discipulado com a crisma colocando nossa vocação a serviço dos irmãos. E encontrando o amor fazendo as pessoas que estão ao nosso lado, os esposos, os filhos, os netos, felizes com a nossa existência.

Ah! Já ia me esquecendo da última pérola. É porque ela geralmente será dada em nossas mãos em um momento de muita fraqueza.  Pode ser quando a gente já estiver muito velhinho ou velhinha. Mas não necessariamente, ela pode ser dada varias vezes quando nosso corpo já não responde as forças que gostaríamos de ter. Ou quando a vida vai passar por algum risco. Então recebemos a pérola da UNÇÃO DOS ENFERMOS.

Enfim, não se afaste de Cristo para não jogar suas pérolas fora. Você um dia vai precisar delas para entregar ao próprio dono delas, ou seja, o próprio Cristo. 

Autor: Padre Cícero Machado


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Na missão de Jesus era primordial educar para o amor e para inclusão daqueles que são largados a margem da sociedade. Percebemos isso neste texto do encontro com os dez leprosos. Neste texto de Lucas 17,11-19 percebemos também uma mudança de orientação pedagógica.

Antes ouvíamos falar do numero 12: escolheu doze apóstolos. Sobraram doze cestos da multiplicação dos pães. São 72 enviados para a missão = 6x12. Ou seja, uma relação estrita e direta ao povo de Israel composta por doze tribos. Neste texto que narra o encontro com os dez leprosos Jesus vai mais longe. Não mais se dirige somente ao povo de Israel, mas com o número dez, relaciona a totalidade da humanidade.

Reparemos que no caminho e visita aos povoados entre a Samaria e a Galileia Jesus encontra 10 leprosos que, à distância, pedem um pouco de compaixão. Entre os dez se destaca um samaritano. Não sabemos a nacionalidade dos outros, contudo podemos deduzir que seria um grupo de galileus, judeus e samaritanos leprosos já que na doença eram pilhados numa só condição: Leprosos e, portanto, agrupados numa comunidade.

Se há uma coisa que une as pessoas, sejam da família, de amigos, ou até de desconhecidos é a solidariedade na dor. Dizemos sempre: "não gosto de fulano, mas se precisar de mim estou à disposição".

No caso dos 10 leprosos. Unem-se na mesma dor, primeira da exclusão, depois da doença. De longe eles gritam para Jesus e não gritam por cura, gritam por compaixão e Jesus manda que eles se apresentem aos sacerdotes. Não são curados imediatamente, mas enquanto caminham são curados. Dá-nos a entender que Lucas quer mostrar com isso que as curas de que precisamos e imploramos a Jesus não se dão como num passe de mágica, mas na caminhada e em comunidade.

Se há uma coisa que une as pessoas, sejam da família, de amigos, ou até de desconhecidos é a solidariedade na dor.

Dos dez, um voltou para agradecer. E Jesus parece não estar preocupado com o sentimento de gratidão daquele que voltou, mas com a indiferença daqueles que não voltaram para dar Glória a Deus. Glorificar a Deus significa que aquele por quem foram curados vem de Deus e por Deus realizou o milagre. Um percentual imenso: 90% não voltaram, mostrando assim o quanto a humanidade está longe de Deus e ingrata.

Fixemo-nos então na falta de glorificação que a humanidade deve a Deus e é uma exigência de Jesus: recebemos o sol, a chuva, as colheitas, o ar. Domingo ensolarado.  Festa da natureza, dia propício para reunião em família, praias, passeios, sítios e fazendas...  Sequer se importamos em saber donde vem este milagre da vida. Outros renegam até que possa vir de Deus tantas graças. Será que custaria muito escutar o seu filho já que isto seria a maior glorificação de um Pai amoroso? Uma parada para a escuta e Santificação do dia? Mas para uma enorme parte da humanidade o benfeitor foi esquecido. Foram para os seus afazeres como os outros nove curados.

Foram-se embora. Para onde? Para os seus afazeres? De volta para as suas famílias? Desfizeram a comunidade dos solidários na dor? Não vamos saber jamais. Galileus e samaritanos que viviam juntos, agora curados, não se preocupam mais em voltar juntos para dar glória a Deus. Cada um para o seu lado, se desfez a comunidade.

Mas felizmente um voltou, um samaritano. E recebeu uma palavrinha final de Jesus: "tua fé te salvou". Terrível  e maravilhosa ao mesmo tempo. Terrível para os outros nove que receberam uma cura passageira para esta vida. Certamente não mais terão lepra e mesmo o Pai do céu os livrará de outras intempéries. E maravilhosa palavra para o samaritano que além de ficar curado, e olhe que nem foi a cura que ele pediu, ele havia pedido apenas compaixão e ficou curado recebeu de Jesus a Salvação. Somente ele pode ouvir. "Tua fé te Salvou".

Espanta a qualidade das pessoas que pedem constantemente curas a Jesus. Se metem em lugares que prometem sempre curas e mais curas porque lá fulano de tal vai curar. Tão fácil entender que o específico de Jesus não é curar. O específico de Jesus é gerar a fé e devolver a vida fazendo o nome de Deus ser glorificado, juntando a comunidade daqueles que glorificam. Não me lembro de jamais Jesus ter dito ao final de uma cura: "Minha fé te curou!", mas sempre: "Tua fé te curou!" Portanto, não é a fé que o pastor tenha, ou que o padre tenha, ou que qualquer curandeiro tenha que vai curar alguém. A fé que cura é a disposição interior para crer em Jesus como o Messias, isso sim glorifica e salva.

Não importa. A humanidade continuará sempre sendo curada. Deus é bondoso, compassivo e fiel Sl 102. Continuará nos dando pão ao invés de serpentes e ovos ao invés de escorpiões. Jesus o conhece muito bem e nos diz que apesar de sermos maus, se um filho nos pedir um pão nós não lhe daremos uma cobra. E se pedir um ovo não lhe daremos um escorpião, muito menos o Pai do céu o fará (Lc 11,11). A humanidade receberá sempre o sol e as chuvas nas suas devidas medidas. E ao mais brando clamor será sempre acolhida na compaixão.

Curas sempre nós a teremos. Enquanto pudermos vamos buscando-a, com fé na ciência e com fé em Deus. Mas um dia fatalmente a morte nos dará uma convincente desculpa para nos levar desta terra. Mas para os que creem, quando não mais for possível a cura, a fé salvará.

Diante da ingratidão dos nove ficamos tentados a pensar que o vírus daquela lepra era a falta de reconhecimento de Jesus como filho do homem. Pensando assim chegamos a acreditar que aqueles nove leprosos, agora curados, continuarão sempre como leprosos, mortos vivos, sem Deus a vagar nos seus próprios interesses, curados da lepra, doentes na sua ingratidão. Ficamos assim tentados a acreditar que o que nos faz mortos vivos é a falta de Glorificação da bondade de Deus em Jesus que apenas quer que acreditemos no Filho do Homem, juntos e em comunidade. 


Autor: Padre Cícero Machado


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